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Clean Label: conheça a tendência de rótulos com informações mais claras e ingredientes menos processados
O movimento não é novo, mas continua ganhando repercussão no Brasil: Clean Label, ou "rótulo claro" em uma tradução livre, é a tendência que movimenta a indústria de alimentos nos Estados Unidos e Europa.
O movimento deriva da busca por uma alimentação mais saudável, reduzindo o consumo de alimentos ultraprocessados e de aditivos como açúcares, sal, gorduras diversas, corantes, conservadores, hormônios e ingredientes transgênicos. Em outras palavras, trata-se de um consumidor mais informado, que lê os rótulos dos produtos e busca fazer uma escolha mais consciente.
Com isso, a busca da indústria é pela transparência e simplicidade na formulação de seus produtos. Além de eliminar substâncias consideradas problemáticas, as fabricantes também procuram destacar pontos positivos nos rótulos, como "feito de frutas", "sem adição de açúcares", "feito com cereais integrais" ou "ingredientes orgânicos".
Um detalhe importante: não confunda "Clean Label", um movimento por uma alimentação com menos aditivos, com o "Clear Label", termo para rótulos transparentes, praticamente invisíveis.

Mas afinal, o que é "natural?"
Se a busca pela "comida de verdade", como é apelidada em blogs e comunidades sobre o assunto, ainda é restrita a um nicho de consumidores de alta renda, lá fora o movimento ganha força. Uma pesquisa organizada pelo GNT Group em 10 países verificou que dois terços dos consumidores costumam checar os ingredientes dos produtos, e chegou à conclusão que "natural", para o público, significa livre de conservantes, adoçantes, corantes e aromatizantes artificais.
Mas o termo "Clean Label" não é uma certificação ou um conjunto de regras, mas sim uma percepção mais ou menos precisa, o que também ocasiona falhas de comunicação. Por exemplo, maltodextrina e frutose de milho são ingredientes considerados problemáticos pelas entidades de alimentação saudável, mas que já foram colocados como "naturais" pela General Mills (o que resultou em um processo nos Estados Unidos em 2014).
Um dos perfis que está adiante na busca por uma alimentação mais consciente são os millenials (segundo pesquisa da HealthFocus sobre "Clean and Green Labels"). Contudo, consumidores mais velhos estão bastante atentos ao teor de sal e gordura. Por fim, o grupo que mais movimenta a discussão é o de mães e pais que procuram opções mais saudáveis para seus filhos. Além de observar atentamente os rótulos, são consumidores que carregam a discussão adiante em grupos online e redes sociais, debatendo escolhas e opções de produtos disponíveis na prateleira.
Outro dado curioso revelado pela pesquisa da GNT Group é que a percepção de melhoria varia bastante de um produto para outro. Consumidores são muito mais tolerantes à presença de ingredientes artificiais em refrigerantes e sorvetes, mas bastante rígidos quando se trata de alimentos considerados "mais naturais" como laticínios, queijos e iogurte.
Como o Clean Label se trata da percepção do consumidor, a área cinza é enorme. Uma das críticas ao movimento está no fato de que ingredientes com "nome estranho" ou "nome químico" são os mais rejeitados pelos consumidores, o que não tem nenhuma relação real com o impacto na saúde.

Para evitar esse problema há listas de ingredientes banidos. Há, por exemplo, listas de grandes varejistas como Aldi, Kroger e Whole Foods. São ingredientes que, se presentes, são, ou proibidos neste varejo, ou ficam fora da seção de produtos naturais.
Nem mesmo as listas escapam de críticas. Cafeína, por exemplo, é tolerada se ocorrer naturalmente (como em cafés orgânicos), mas proibida se adicionada (caso de bebidas estimulantes).
A falta de padronização sobre o que é ou não considerado Clean Label tem despertado críticas ao marketing da indústria de alimentos, que apela para este consumidor com selos que destacam a presença de ingredientes integrais, orgânicos e "reais", mas sem real critério. Por exemplo, se um suco é feito parcialmente a partir de frutas reconstituídas, ele poderia estampar no rótulo algo como "100% feito de frutas"? Neste caso, a opinião de órgãos de defesa do consumidor diverge dos advogados da indústria alimentícia.
Como a FDA e a União Europeia não têm regulamentação específica, as ações são movidas individualmente.
Clean Label requer rastreabilidade e controle da cadeia
Como o movimento Clean Label está relacionado à presença de alimentos transgênicos, hormônios em animais e até mesmo às condições de trabalho na fabricação de tais ingredientes, a indústria que deseja se atualizar precisa ter um controle preciso de tudo o que entra naquele produto.
Isso significa saber exatamente as condições dos animais da carne utilizada, os agrotóxicos utilizados na lavoura e a presença de sementes geneticamente modificadas. Se isso era impossível há poucos anos, hoje temos condições de controlar toda a cadeia com base na rastreabilidade de produtos, por meio de uma simples etiqueta adesiva.
Leia também: Tags e etiquetas adesivas para rastreabilidade de produtos
Claro que um controle mais preciso da cadeia dos ingredientes (além da escolha de fornecedores com a mesma filosofia) acarreta um custo maior para a indústria, que eventualmente é repassado ao consumidor.
Substituições existem, mas também têm problemas
Outra questão importante: muitos dos ingredientes adicionados que fazem parte das listas proibitivas influenciam na conservação e estabilidade, além, claro, de alterar o sabor. Fazer um produto com menos ingredientes artificiais significa alterar o alimento com o qual o consumidor já está familiarizado.
Um documento elaborado pela AURI (Agricultural Utilization Research Institute — Minnesota, EUA) demonstra o desafio de substituir os ingredientes contidos nas tais listas, ponderando que mudanças no sabor ou textura são praticamente inevitáveis.
Corantes artificiais são econômicos e estáveis, mesmo sob altas temperaturas, luz, e mudanças de acidez, além de facilmente diluíveis. Corantes naturais são baseados em caramelo, extrato de semente de uva, páprica, entre outros, mas a maioria deles oxida com facilidade.
Açúcares são acrescentados não apenas pelo sabor, mas também para melhorar a estabilidade dos alimentos. Mel, calda de maple, mandioca ou stevia são algumas das alternativas, mas seu custo é alto.
Conservantes, como parabenos e nitrato de potássio, têm a função de aumentar o tempo de validade dos produtos, impedindo a oxidação do alimento e proliferação de fungos, bactérias e outras leveduras. Substituições mais naturais seriam sal, açúcar, própolis e ácido cítrico. A substituição de conservantes pode demandar alterações no processo de fabricação, armazenagem ou embalagem (embalando a vácuo ou mantendo refrigerado, por exemplo).
Emulsificantes são adicionados para alterar a textura dos alimentos. Alguns são bastante tolerados pelo público, como o bicarbonato de sódio. Já outros, como o fosfato de alumínio, desperta mais rejeição. Pode ser substituído por lecitina, clara de ovo e amidos de milho, batata ou mandioca.
Substituições geram custo para a empresa e alteram o sabor e textura. Por isso, é muito difícil uma marca fazer alterações drásticas em seus campeões de venda.
Em vez disso, a manobra da indústria tem sido apresentar alternativas, a princípio, vendidas como produtos de nicho, e aos poucos expandir o público dos produtos de maior sucesso.

Considerações a respeito da rotulagem no Brasil
Se o movimento no Brasil ainda é pequeno, é questão de tempo para a tendência chegar ao país.
Nos últimos anos, entidades de defesa do consumidor conseguiram conquistas importantes a respeito da rotulagem, como a obrigatoriedade de identificação dos alergênicos mais comuns e do teor de lactose dos produtos industrializados. Hoje também é exigido selos que apontam níveis problemáticos de açúcar, sódio e gorduras.
Se um dos principais itens discutidos no Clean Label é a identificação dos transgênicos, o Brasil está na contramão da tendência, com a tramitação no Congresso de um Projeto de Lei que desobriga os produtores a informar a existência de organismos geneticamente modificados em rótulos de produtos. Se aprovado, o PL vai abolir a obrigatoriedade do triângulo amarelo com a letra "T", mas mantém a indicação na lista de ingredientes.
Uma das principais críticas é que ele desobriga a identificação se a concentração de organismos modificados geneticamente for inferior a 1% da composição total da mercadoria. Na prática, o texto complexo abre precedente para manobras da indústria para remover tal identificação.
Hoje o órgão brasileiro que define o que deve e o que não pode estar nos rótulos de alimentos é a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Ela determina que a lista de ingredientes seja ordenada pela composição do produto (primeiro o item de maior proporção) e proíbe a inclusão de informações que não podem ser comprovadas.
Ou seja, se o produto apresentar indicações como "feito com alimentos orgânicos", terá que comprovar a utilização e controle desses ingredientes. Do mesmo modo, em alimentos com indicação de "integral" ou "feito com grãos integrais", o processo pode ser verificado em caso de denúncia.
A Anvisa também não permite a inclusão de propriedades medicinais, terapêuticas ou emagrecedoras que não são fundamentadas. Isso não permitira, por exemplo, que um determinado produto fosse anunciado como "mais saudável" que os concorrentes, ou o efeito da presença, ou ausência de determinados ingredientes.
Os rótulos e o poder das redes sociais
Se o Clean Label ainda não tem força de lei, há iniciativas no país que visam facilitar a vida do consumidor que busca uma alimentação mais consciente. Além da ONG Põe no Rótulo, responsável pela conquista a respeito dos alergênicos, chama a atenção o aplicativo Desrotulando.
Disponível para Android e iOS, trata-se de um aplicativo com banco de dados colaborativo com milhares de rótulos de produtos disponíveis ao consumidor brasileiro. Criado por nutricionistas, explica de modo claro a presença de componentes problemáticos em alimentos encontrados nos supermercados e indica alternativas baseada em um ranking com base nos ingredientes e tabela nutricional.

Além desta iniciativa, as indústrias estão de olho no impacto de suas ações para os consumidores. O uso de alguns ingredientes, como o óleo de palma, tem provocado manifestações online por dois problemas: desmatamentos em países como Malásia e Indonésia para monocultura de palmeiras; e probabilidade do ingrediente ser cancerígeno quando processado em altas temperaturas.
Esse tipo de alerta, quando vem a público, ganha corpo rapidamente nas redes sociais, afetando, além das vendas do produto, a imagem da empresa perante o público.
Também é preciso considerar que a tendência de Clean Label não funcionará para todas as marcas. Aquelas já associadas com alimentos bastante processados ou com alto teor de açúcar, como refrigerantes e doces, não devem obter muitos benefícios com a alteração de ingredientes, já que uma opção mais saudável não estará na mira dos consumidores desses produtos.
Rótulos refletem uma escolha de vida mais saudável
As discussões sobre Clean Label vêm expandindo desde o começo da década, mas agora temos visto a movimentação da indústria alimentícia para oferecer opções mais saudáveis a seus consumidores, sem aditivos, livre de transgênicos e com teor reduzido de sal, açúcar e gordura.
E não são só as marcas voltadas a consumidores de nicho: há poucos anos a Unilever comprou a Mãe Terra, marca com um claro posicionamento ligado aos ingredientes orgânicos e naturais.
Se a escolha dos ingredientes deve conquistar o consumidor, o material do rótulo não deve ficar para trás. A Promtec é uma empresa fornecedora de rótulos para indústrias em diversos segmentos. Trabalhamos com rótulos adesivos em diferentes materiais, seja uma opção transparente praticamente invisível, seja um rótulo de papel texturizado que reflete o posicionamento da marca. Entre em contato e conheça o nosso trabalho em rótulos.
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