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Como escolher cores diferentes entre si para etiquetas
Post atualizado em 11/2017
O problema das cores sem ambiguidade é ao mesmo tempo muito antigo e ainda corrente, e tem aplicação prática na indústria gráfica, não só para nomear tintas e pigmentos e manter a coesão nas embalagens, mas também para atender a legislação que pode exigir cores específicas para alertas, placas de trânsito e assim por diante.
Um exemplo bem próximo ao cotidiano: você precisa de etiquetas de cores diferentes para cada mês do ano, como por exemplo nas Etiquetas FIFO. Como você garante que as cores serão diferentes entre si para não gerar confusão? Ou ainda, como escolher cores que provavelmente receberão o mesmo nome por todos os funcionários (e não cores que um dirá que é verde e outro azul, por exemplo)?
A resposta está em um artigo bastante interessante escrito por John Seymour em seu blog: um estudo de "cromolinguística" elaborado por Berlin e Kay em 1969 chegou à conclusão de que existem onze cores básicas, identificadas por qualquer língua ou cultura:
Branco, preto, vermelho, verde, amarelo, azul, marrom, roxo, rosa, laranja e cinza.
Vamos descartar o branco, que é geralmente a cor do fundo do material, que costumamos deixar "vazado" para formar as letras nas etiquetas (assim a impressão necessita somente de uma cor). Precisamos então de duas cores extras para as doze:
Aí temos duas opções: a primeira e mais comum é diferenciar claro e escuro. As mais fáceis de diferenciar são azul e verde, então ficaríamos com "azul claro" e "verde claro". Outra opção seria usar cores fluorescentes, como o verde fluorescente e pink fluorescente.
Como arranjá-las?
Há duas formas interessantes de arranjar as cores, para continuidade, ou para maior contraste entre os meses. Por exemplo:

Neste arranjo, há uma continuidade entre as cores. Meses mais próximos recebem cores mais próximas. Ideal para estoque com uso contínuo, onde é mais importante identificar os produtos mais antigos, independente do mês.

Neste arranjo, as cores próximas estão em meses opostos. Ideal quando o controle de estoque é feito mensalmente, ou quando todos os produtos de determinado mês precisam ser despachados.
Além das etiquetas mensais, também trabalhos muito com etiquetas FIFO semanais, muito utilizadas por restaurantes (chamadas Food Rotation Label, ou Etiquetas para Rotação de Alimentos). São etiquetas que garantem o uso dos ingredientes sempre frescos, evitando desperdício.
São feitas geralmente em 7 cores, para cada dia da semana. Utilizando o mesmo princípio acima, podemos sugerir as seguintes cores (excluindo as duas últimas para sistemas de 5 cores): preto, vermelho, verde, amarelo, azul, laranja e cinza
Aprofundando um pouco mais na nominação de cores
Desde a antiguidade os filósofos se perguntam se "o verde que enxergo é o mesmo verde que você enxerga", questão que hoje deixou o campo da filosofia passando para a teoria das cores.
A indústria gráfica define as cores não pelo seu nome popular, mas por sua denominação técnica. A mais popular delas é o código L*a*b*. Trata-se de um conjunto de três dados que determina a padronização da cor. O L se refere a luminosidade, enquanto "a" e "b" são coordenadas em um gráfico de tonalidade.

Esses dados são obtidos por um "espectrofotômetro", um aparelho bastante conhecido da indústria gráfica, que avalia com precisão a qualidade da luz refletida na superfície em cada comprimento de onda, determinando assim a exata cor na escala escolhida.
Vamos complicar um pouco mais? Quando trabalhamos com cores básicas, nós temos que pensar em uma região. Por exemplo, se escolhemos o vermelho no nosso gráfico. A cor logo ali ao lado é vermelho também, não? E logo abaixo, claro. Até que ponto ele deixa de ser vermelho para se tornar marrom ou rosa? Por isso cada cor básica é determinada por uma certa "região", embora não exista nenhuma padronização oficial a respeito.

Gráfico de regiões para as cores básicas determinada por John Seymour no post citado no início do artigo.
Para complicar ainda mais, precisamos incluir a luminosidade (L) na questão. Quando uma cor, por exemplo, o azul escuro, deixa de ser azul e se torna preto?
Como você pode ver, o estudo de cores é um campo fascinante. Até uma questão simples como "quais as melhores cores para minha etiqueta mensal" pode gerar uma busca por campos diversos como a linguística e a fotometria!
Saiba mais:
O que é um espectofotômetro? (em inglês): http://www.xrite.com/learning/other-resources/what-is-a-spectrophotometer
Entendendo o espaço de cor L*a*b*: http://sensing.konicaminolta.com.br/2013/11/entendendo-o-espaco-de-cor-lab/
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