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Como identificar itens de coleção de História Natural
Trabalhar com etiqueta para museu, em especial a etiquetagem de itens museológicos é um grande desafio para os pesquisadores: como garantir que uma determinada marcação ficará ligada à peça por décadas, sem se desfazer, cair ou perder a impressão? Ou, ainda pior, sem interagir com a peça, causando a sua degradação?
Coleções de História Natural são usadas por cientistas e pesquisadores para acompanhar a evolução de espécies de plantas, animais e outros itens. Por isso é comum que contenham várias amostras semelhantes para comparação, o que resulta em um acervo grande que precisa ser mantido organizado e catalogado.
O primeiro ponto é que é preciso haver uma padronização na instituição de pesquisa, já que a catalogação das espécies muitas vezes não é feita pelos pesquisadores, mas por membros mais juniores da equipe, sem tanto conhecimento técnico. Se cada um decide anotar de um jeito, organizar a coleção se tornará um caos.
Existem vários tipos de etiquetas e tags que podem ser utilizados nesta tarefa, cada um com suas vantagens e desvantagens.
Materiais indicados para museus e laboratórios
Etiquetas de papel especial
O mais comum e recomendado é a etiqueta de papel museológico. Trata-se de um tipo de papel específico com pH neutro e livre de ácidos e de lignina, capaz de manter suas características por mais de 200 anos.
A vantagem do papel é seu histórico milenar: trata-se de um dos poucos materiais que foi testado em condições reais. No entanto, o papel é poroso e suscetível a mofo, infestação por bactérias e insetos. Também não é recomendado para imersão em líquidos conservantes.
Etiqueta de Tyvek
O Tyvek é um material desenvolvido pela DuPont. É um não-tecido feito de fibras de polietileno, extremamento durável e bem resistente a rasgos. No entanto, a grande vantagem da etiqueta de Tyvek está no fato de impedir a proliferação de bactérias e fungos.
Pesam contra esse material o fato de ser relativamente novo (os testes de resistência a longa duração foram realizados em condições artificiais) e que, em um ambiente controlado, verificou-se a possibilidade de ser devorado por besouro de tapete (dermestidae).
Etiqueta de Poliéster
A adoção de etiquetas de poliéster tem crescido cada vez mais entre os pesquisadores e instituições, por suas características técnicas: é praticamente inerte (não reage com o material ou com o fluido onde está imerso) e resiste a baixíssimas temperaturas (etiquetas para criogenia).
O poliéster tem sua duração reduzida se exposto a raios UV (o que não é o caso da maior parte das coleções).
Impressão e marcação em etiquetas
O método de impressão ou marcação também deve ser observado. De modo geral, as tintas com alto nível de carbono têm duração muito maior do que pigmentos a base de corantes. A resistência e permanência da impressão é regulamentada por algumas normas internacionais, como a ISO 11798 e ISO 18902.

Canetas permanentes para etiquetas
Canetas permanentes muitas vezes são baseadas em corantes, e a anotação pode apagar e até desfazer com o tempo, principalmente quando em imersão em ácidos. Existem canetas especiais com pigmentação a base de carbono, de alta duração. Outra solução é o uso de lápis, cujo grafite também tem longa duração.
Não é recomendado o uso de canetas sobre Tyvek ou Poliéster. Também é preciso considerar a caligrafia e possibilidade de erro manual do catalogador.
Impressão a jato de tinta ou laser
Essas modalidades de impressão estão disponíveis e acessíveis aos pesquisadores. Ambas têm um baixo custo para impressão de poucas etiquetas. No entanto, geralmente são menos resistentes a abrasão no longo prazo, embora existam variações entre os suprimentos, e parte deles pode ser mais resistente. Também são recomendadas somente para a impressão sobre papel, e não resistem bem a imersão.
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Impressão por termotransferência
A impressão por termotransferência é extremamente durável, desde que escolhido o ribbon correto para o suporte e para as necessidades. A impressão por termotransferência é utilizada em indústrias químicas, em ambientes de extrema agressão a ácidos e solventes e se provou resistente.
Apesar da presença de impressoras térmicas ainda ser relativamente baixa nas instituições, trata-se de um equipamento de baixo custo e bastante disponível no mercado. Apenas duas questões devem ser atentadas: como é uma tecnologia relativamente nova, não foi testada em condições reais de longo prazo, e a troca de fornecedores pode exigir novos testes dos ribbons.
Por fim, resta a dúvida de como ligar a etiqueta à peça. Uma das soluções é o uso de tags (etiquetas sem adesivo), que são presas à peça por barbantes (que por sua vez também precisam ter pH neutro e fabricados com 100% de algodão ou linho).
Uma das maiores desvantagens desse método é a possibilidade de infestação por fungos e pragas, e a possibilidade do transporte de gordura pelo barbante.
Outra solução são pinos especialmente indicados para tal. Esses pinos são longos e bastante finos. Devem ser totalmente a prova de ferrugem ou corrosão, sem traços de níquel ou cobre, que podem reagir com a gordura do espécimen. Em um único pino é possível colocar diversas etiquetas.
Por fim, resta a solução da etiqueta autoadesiva. Materiais adesivos variam tanto de fabricante para fabricante quanto dentro da própria linha. Para o uso em coleções de história natural são recomendados adesivos permanentes de longa duração, com formulação em acrílico.
Este artigo foi baseado no paper "Labeling Natural History Collections", escrito por Erika Range, Luci Cipera, e Carolyn Leckie.
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