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Os nomes das cores: o que você nomeia é o que você vê?
Post atualizado em 03/2018
Na Promtec adoramos pesquisar estudos de cores. Este é um campo multidisciplinar muito rico, que envolve noções da Matemática, Física (frequências de onda), Biologia (formação do olho) e até mesmo Linguística. É deste último aspecto que vamos tratar neste post: como algumas culturas escolhem quais cores nomear?
O fascinante a respeito do nome das cores é que diferentes línguas possuem diferentes nomes para elas, que não são apenas traduções. Veja bem, matizes são um espectro de diferentes comprimentos de onda. Por que cada língua escolhe determinadas cores consideradas "básicas"? Porque existem variações, e semelhanças?
Por exemplo, se nas línguas inglesa e portuguesa nós distinguimos diferentes tons de vermelho em "vermelho" e "rosa" e categorizamos tanto o azul mais claro quanto o escuro como "azuis", a língua russa tem duas cores para azuis distintos.
Um estudo bastante conhecido, elaborado em 1969 pelos pesquisadores Paul Kay e Brent Berlin, propõe a seguinte teoria: todas as línguas do globo criaram nomes para as cores aproximadamente na mesma ordem:
Preto, branco, vermelho, amarelo ou verde, azul, marrom, e demais tons.

Já falamos um pouco desse estudo e sobre cores básicas no post "Como escolher cores diferentes entre si para etiquetas".
O estudo foi revisado recentemente, com algumas alterações, mas a ordem principal se mantém relativamente intacta para cerca de 80% das línguas pesquisadas. O que os linguistas não conseguem concordar é exatamente por que essa ordem.
Há pesquisadores que trabalham com a percepção de cores pelo olho humano para tentar explicar em parte a origem dessa diferença. Cones são células capazes de perceber determinada frequência luminosa. Temos três tipos deles, capazes de identificar luz azul (comprimento de onda de pico 420-440nm), luz verde (534-545nm) e luz vermelha (564-580nm). Como existe diferença na capacidade de absorção das cores, isso explicaria a evolução na linguagem.
Há, por outro lado, estudos mais voltados ao campo da antropologia: como o vermelho seria uma das cores mais importantes para as culturas ancestrais, já que a visão de sangue demonstraria perigo, isso explicaria o nome dessa cor primeiro, logo depois de claro/escuro.
Para complicar ainda mais, há um estudo fascinante, dessa vez da neurologia, que demonstra como o aprendizado da linguagem influencia nos mecanismos de categorização do cérebro. Ou seja, conforme aprendemos as cores, o cérebro aprende a categorizá-las. Uma das possíveis conclusões seria que o modo que aprendemos as cores na primeira infância tem grande influência em como enxergamos o mundo.
Estes debates a respeito das cores não são novos: na filosofia clássica já encontramos textos a respeito das cores, sua categorização e significados. Até hoje esse é um campo bastante controverso, uma vez que envolve linguagem, cultura e percepção, todas áreas de estudo onde não é possível chegar a verdades absolutas. O resultado é que linguistas renomados e acadêmicos da teoria da cor raramente chegam a algum consenso.
Não é fascinante?
Saiba mais (em inglês): vox.com, vimeo.com/120808489 e languagelog.ldc.upenn.edu
Amo a cor azul