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Você sabe mesmo o que são os produtos gourmet?
Post atualizado em 06/2018

Você deve se lembrar bem do fenômeno das paletas mexicanas. Entre 2014 e 2015, elas chegaram assolando o mercado brasileiro, e filas e filas de consumidores eram vistas nas paleterias.
O sucesso foi tão grande que muitos negócios que nem tinham esses produtos como parte do plano aderiram à moda para não ficarem de fora, aproveitando para fazer um lucro de oportunidade.
Mas que tal a gente ir mais a fundo para entender esse processo? Qual era o argumento de venda das paletas? Produtos gourmet.
A imagem de paleta vendida era a de um picolé arrojado, incrível, oferecido em embalagens com rótulos diferenciados e feito com insumos com uma qualidade que os outros produtos do mercado não tinham. O sabor de morango recheado com leite condensado se tornou um símbolo da febre gastronômica.
Mas, enfim, apesar de todo o furor, nós, você e muitos consumidores sabemos que as paletas não são nada mais que picolés recheados. São saborosos, sim, não dá para negar. Mas será que elas são realmente produtos gourmet?
É justamente sobre esse assunto que queremos conversar hoje. Afinal, ser gourmet é o mesmo que estar na moda? O que diferencia produtos gourmet de verdade das demais opções à disposição nas gôndolas? Como o varejo pode se beneficiar deles e justificar aos consumidores o valor adequado ao alto padrão das mercadorias?
Acompanhe!
O problema da gourmetização
Para começar, antes de falar dos produtos gourmet, temos que entrar na gourmetização. E vamos aproveitar o case das paletas mais um pouquinho para ajudar nesta conversa.
Não é difícil de observar que, tão rápida como a subida das paletas, foi a sua queda. Hoje, oferecer paleta mexicana não é mais um diferencial.
Se fizermos uma ligação com o Hype Cycle — conceito que explica o surgimento de novas tecnologias, mas pode ser bem didático aqui —, as paletas estão indo, há algum tempo, para o "poço da desilusão".
E, para deixar a conversa mais leve, dá para dizer que, provavelmente, a inconsistência desse produto foi o "raio gourmetizador".
O ponto que queremos levantar é que produtos como as paletas criaram uma espécie de modismo gastronômico, com uma explosão de vendas a partir do argumento de que algo é gourmet (mas nem sempre sendo).
A gourmetização dos alimentos — as paleterias não são a única vítima da história, pense em brigaderias, casas de hot dog, hamburguerias, docerias... — se dá quando produtos aparentemente têm algum diferencial tão interessante que justificam o alto valor de compra e venda.
Porém, muitas vezes, o que vemos por aí é um produto "gourmetizado", e não realmente gourmet. Por exemplo, uma paleta de sabor chocolate belga, mas que, na realidade, é feita a partir de insumos industrializados comuns, como qualquer picolé mais simples.
Por um tempo, a estratégia funciona, pois tem apelo. Os consumidores aceitam pagar e até mesmo divulgam a novidade. Mas, por fim, o lançamento se torna um padrão repetitivo de mercado, já sem o diferencial. Os preços caem, o interesse também.
E, então, o produto que foi gourmetizado perde o lugar. Porém, não é isso o que acontece com as mercadorias que são realmente gourmet.
O conceito de produtos gourmet
Com o andar deste bate-papo, você deve estar imaginando que a definição de gourmet de verdade envolva processos mais complexos, não é? Pois é isso mesmo.
Em síntese, um produto gourmet é um alimento básico que é transformado em uma mercadoria com alto valor agregado, passando do status de comum para diferenciado.
Só que a diferenciação não acontece apenas por um apelo de inovação, e sim pelas características da cadeia produtiva.
Nesse caso, a justificativa de um custo mais alto para o consumidor está realmente na qualidade dos produtos, que são feitos a partir de ingredientes e modos de preparo mais refinados e sofisticados.
Um bom exemplo disso está no setor de bebidas alcoólicas, em especial de vinhos e cervejas, dois produtos muito fortes no Brasil. Em larga escala, você sabe, há muitas opções básicas desses produtos, que servem para o consumo geral. E o custo tende a não ser alto.
Há rótulos, porém, mais sofisticados, que oferecem uma experiência gustativa mais intensa e especial que, em grande parte, advém da proposta de produção: uma combinação entre insumos melhores e métodos de preparo e embalagem mais criteriosos.
E é justamente por causa de todo esse cuidado que os produtos gourmet realmente têm um padrão mais elevado, com melhor valor nutricional e mais sabor, e não ficam só no modismo: a produção dos bens pode ter longa data.
Isso pode ser observado no setor de queijarias gourmet, que envolvem uma estrutura geralmente familiar, com verdadeira tradição em preparar peças únicas.
A Fazenda Atalaia, do interior de São Paulo, por exemplo, tem queijos artesanais premiados internacionalmente, vendidos a R$ 150 o quilo em Amparo, onde está sediada sua produção.
E o que mais a personalização dos itens gourmet tem de notável? A aproximação do consumidor das origens do produto, o que gera não só um valor de capital, mas emocional.
Os produtos gourmet no varejo
Pensando a partir de todos esses esclarecimentos, dá para ver bem que investir em produtos gourmet no varejo de alto padrão pode ser muito interessante.
E para manter uma clientela fiel, disposta a investir em qualidade, o segredo do negócio é trabalhar com marcas confiáveis e oferecer itens realmente diferenciados!
Mas, para que as mercadorias tenham saída e o faturamento seja mantido, mais que bons produtos, atenção aos mínimos detalhes é algo que não pode faltar. Anote aí esta checklist que preparamos para o seu negócio:
- entender as mercadorias e criar argumentos certeiros para vendê-las;
- analisar tendências e aproveitar somente aquelas adequadas ao seu estabelecimento;
- conhecer os fornecedores e certificar-se sobre os métodos de produção;
- estabelecer bom relacionamento com os clientes e estimular indicações;
- organizar o layout da loja para favorecer o estímulo de compra.
Além disso tudo, há dois cuidados que merecem uma atenção a mais. O primeiro é oferecer uma experiência única ao cliente. Quem não gosta de degustar um produto para ter certeza antes de fazer a compra? Estimular o olfato, a visão e o paladar é definitivo quando o assunto é gastronomia.
Então, separe uma parte do estoque para oferecer provas e ganhar seus consumidores pelas vantagens reais dos produtos.
E o segundo, mas não menos importante, é dar destaque ao aspecto visual das mercadorias. A embalageme a etiquetagem, feitas adequadamente, são elementos básicos para que um produto chame a atenção.
E não falamos só de beleza, não: um material correto, que permita a boa visibilidade de informações, é um elemento indispensável para que o cliente tenha certeza na sua decisão de compra.
Inclusive, caso você decida oferecer produtos gourmet de sua própria marca — biscoitos, bolos e geleias são opções mais simples de produzir e que não envolvem custos elevados —, ter uma identidade visual apropriada e convidativa é ainda mais importante para deixar uma boa impressão.
Foi uma ótima conversa até aqui, não é? Certamente, você entendeu um tanto mais de como funciona o mercado de produtos gourmet.
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Muito boa a narração do conceito, inclusive nossos produtos se encaixam como gourmets reais, desde de a cadeia produtiva, processos, inovações e principalmente experiência degustativas. Só para exemplificar costela suína ao molho barbecue de tamarindo, camarões ao molho de cajá lemon per, ou que tal um ketchup de caju.
Apesar da alta complexidade do assunto.Excelente síntese.