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Ser (ou parecer) reciclado: a embalagem é sustentável de verdade ou só parece ecológica?
Post atualizado em 11/2020

Quando se fala em embalagem sustentável, toda marca não alinhada com esses valores terá dificuldades de sobreviver aos próximos anos. O lixo gerado e recursos naturais empregados serão, cada vez mais, os primeiros critérios na escolha de um produto.
Sustentabilidade como marketing existe há mais de 50 anos, tempo mais que suficiente para criar no imaginário popular uma "estética sustentável", influenciada em parte por detalhes técnicos (papel texturizado ou bruto) e por pura publicidade. Por exemplo: tons pardos e marrons são mais associados à sustentabilidade do que cores mais vibrantes, e eventualmente a indústria acaba tingindo materiais em tons terrosos buscando esse aspecto.
Parte dessa estética está ligada à rejeição ao plástico, tido como o grande vilão ecológico (responsável por grande parte do lixo não compostável em aterros). No entanto, nem todo plástico é igual: "plásticos" é uma ampla categoria de polímeros. Alguns termoplásticos (utilizados em cadeiras, mesas e baldes, por exemplo) são materiais bastante ecológicos. Derretidos e remodelados inúmeras vezes quase sem perda de qualidade.
Sacola plástica é ecológica?

Outro exemplo prático: o que é mais sustentável, sacolas plásticas de supermercado ou sacolas de algodão? A resposta depende de qual aspecto "ecológico" você observa: o lixo gerado ou os recursos empregados na produção.
Dessa forma, a sacolinha plástica é um grande problema após o descarte. Pois, não é biodegradável e muitas vezes acaba em rios e oceanos tornando-se um problema à vida marinha. Esse plástico é encontrado até na água e alimentos que consumimos.
Agora, se olharmos para o lado da produção, temos que considerar o uso de água e energia, e seu respectivo impacto no ambiente. Um estudo encomendado pela Agência de Proteção Ambiental da Dinamarca em 2018 chegou à conclusão de que uma sacola de algodão teria que ser utilizada mais de 7 mil vezes para ser mais ecológica que uma sacolinha plástica. Se o algodão for orgânico, o número sobe para 20 mil vezes. Para comparação, uma sacola reutilizável de PET passa a ser mais ecológica se substituir mais de 84 sacolinhas. No caso do poliéster, 35.
Às vezes a empresa acaba optando por parecer ecológica, sem levar em conta quais materiais e processos causam o maior impacto ambiental. Ou seja, adotam a estética do ecológico, artesanal, sem mudanças reais.
O que isso significa para rótulos, etiquetas e embalagens?
Rótulos e etiquetas são feitos de filmes plásticos ou de papeis. Os materiais autoadesivos não podem ser reciclados. No entanto, há rótulos criados especialmente para ajudar em processos de reciclagem, que se separam com facilidade no início do processo.
Para saber mais sobre etiquetas e rótulos sustentáveis, acesse o nosso artigo sobre reciclagem de etiquetas e rótulos.
Em se tratando de rótulos, você pode optar por seguir a estética sustentável (papeis mais rústicos, tons pardos), ou pode optar por filmes mais finos, ainda que plásticos. O cálculo sobre qual material teria menor impacto no ambiente é dificílimo de fazer, já que não temos acesso aos dados de fabricação de todos os materiais que trabalhamos.
De qualquer maneira, uma das formas de pensar em rótulos e etiquetas é avaliar onde são colados. Se você trabalha com embalagens plásticas, recomendamos um rótulo ou etiqueta do mesmo material, pois atrapalha menos o processo de reciclagem. No caso de garrafas e potes de vidro, temos etiquetas que se separam do vidro na lavagem com água quente. Em embalagens de papel, que provavelmente serão descartadas para se decompor, utilize etiquetas também de papel. Outra opção são etiquetas removíveis, que saem sem deixar resíduo, facilitando o reaproveitamento ou reciclagem daquela embalagem.
Quanto menos embalagem, melhor

Você compra um produto qualquer e recebe uma caixa de papel, dentro da qual uma embalagem de plástico duro, e dentro dela, mais itens embalados individualmente. Quando percebe, está com o produto nas mãos e uma pequena pilha de materiais para descarte ao seu lado.
Como resultado, cabe à empresa estabelecer processos para utilizar cada vez menos embalagens nos produtos, e que essas embalagens sejam recicláveis. As etiquetas e rótulos podem ajudar nesse processo, facilitando a padronização. Em vez de envelopar todo o produto com informações, um belo rótulo pode ser mais compacto e ainda chamar a atenção necessária.
Dessa forma, as etiquetas também podem ajudar a proteger produtos como eletrônicos. As removíveis mantêm seladas tampas e partes móveis durante o transporte, e protegem quinas e cantos de riscos, possibilitando o emprego de caixas menores, o que alivia os custos ecológicos dos processos logísticos.
Etiquetas logísticas bem pensadas, como etiquetas duplo uso, também pode reduzir a papelada e evitar erros, gerando menor desperdício.
Portanto, mais do que apenas escolher um rótulo de papel com aspecto artesanal, a empresa, alinhada de verdade com a sustentabilidade, é aquela que repensa os processos de maneira integral, estuda o impacto de cada insumo utilizado e encontra maneiras de reduzir tanto os insumos quanto o lixo gerado.
Fotos: Helen Shi / roberta errani / Georg Arthur Pflueger
muito bom o artigo apresentando, deveriam ocorrer mais discussões do genero.